Professor, disponibilizamos aqui atividades para você trabalhar o livro "O perfume doce do mamão verde" com seus alunos:
Atividade “Pré-leitura e Leitura”
a) Pré-leitura
Apresente, a seus alunos, um exemplar do livro O perfume doce do mamão verde. Mostre a ilustração da capa e peça comentários. Em seguida, leia em voz alta o texto da quarta capa. Procure saber que impressões e expectativas são criadas na turma. Também pergunte se alguém já havia lido algum texto de Adriano Messias. Esse é um momento de estímulo e de despertar o interesse pela obra.
Em seguida, você lerá em voz alta apenas a primeira página do capítulo um (5), até a frase “‘que mulher morará dentro de uma cambacica torta?’. – ela pensava alto”. Depois fará as seguintes perguntas aos alunos: a) “que tipo de história será essa?”; b) “o que é uma cambacica?”; c) “o que é sapatinho-de-judia?”. Nesse momento, é importante se ater à memória e à experiência de vida dos alunos.
b) Leitura
Para a leitura do livro em si, são sugeridas duas alternativas de trabalho:
a) você começa na sala de aula/biblioteca, lendo algumas páginas do primeiro capítulo e, depois, seus alunos continuam em casa. Você marca uma data para conversarem a respeito;
b) você lê toda a história em uma única aula. Criando-se um ambiente calmo e focado, a narrativa cumprirá seu papel de envolver e emocionar os estudantes.
Se houver tempo, pode também propor uma leitura integral dramatizada, em que alunos façam as vozes dos personagens sempre que haja diálogo direto.
Atividade “Inclusão de cadeirantes na sociedade: Lei 13.146”
Para essa atividade, reserve pelo menos duas aulas. O objetivo é sensibilizar os alunos quanto às questões de inclusão, sobretudo a de estudantes cadeirantes.
Divida a turma em duplas e explique que eles irão trabalhar com a história de O perfume doce do mamão verde. Para isso, terão de destacar trechos em que a personagem Camila lida com o próprio corpo, na condição de cadeirante, bem como com seus sentimentos e emoções. Trata-se, ao fim e ao cabo, da realização de uma nova leitura mais atenta, observando as questões em torno da protagonista. As marcações podem ser feitas em um caderno, anotando-se as páginas e os parágrafos selecionados.
A seguir, proponha uma roda de conversa, na qual os alunos deverão debater sobre algumas perguntas. Exemplo: no livro, como é retratada a personagem com deficiência?; quais são os sentimentos e as emoções de Camila no decorrer do enredo?; por que ela se tornou cadeirante?; como ela faz para lidar com a condição de cadeirante?; sua casa e sua escola parecem adaptadas para pessoas cadeirantes?; havia mais alunos com deficiência mencionados na história?; como a família demonstra apoio à filha?; como é a Camila do futuro?, etc.
Também aproveite para perguntar se alguém conhece pessoas cadeirantes e como é o dia a dia delas.
O próximo passo é abordar o tema da inclusão e da acessibilidade. Para isso, apresente aos alunos a Lei Brasileira de Inclusão 13.146/2015 por meio de uma linguagem acessível. Para tanto, todos podem ler, em voz alta, a citação que consta na página 3 do livro.
A seguir, use imagens para dar exemplos cotidianos de acessibilidade, como rampas e elevadores, banheiros adaptados, vagas de estacionamento reservadas, materiais escolares, carros e casas acessíveis, etc.
Depois, os alunos, em pequenos grupos, deverão desenhar dois mapas da escola. No primeiro, haverá os prováveis obstáculos que possam ser enfrentados por uma criança cadeirante; o segundo deverá ser um mapa inclusivo, apresentando soluções de acessibilidade como rampas, elevadores, sinalização, etc. Para a confecção dos mapas, pode-se percorrer a escola fazendo anotações e tirando fotos.
Para finalizar, os estudantes devem criar cartazes e panfletos com mensagens de respeito e empatia às pessoas cadeirantes e aos que tenham outros tipos de deficiência. O material deve ser pregado em áreas da escola, e alguns dos panfletos podem ser distribuídos pelos alunos a seus familiares.
Atividade “Os orixás nas expressões culturais afro-brasileiras”
Comente, com os alunos, sobre as diversas referências aos orixás e a religiões de matrizes africanas no livro O perfume doce do mamão verde, conforme eles próprios devem ter notado a partir de leituras prévias. Então reúna os estudantes e peça que comentem quais ilustrações têm alguma relação com o tema. Provavelmente, eles vão mencionar as páginas 8, 24 e 26 (a fantasia de sereia em homenagem a Iemanjá), 12 e 13 (as representações de Iemanjá, Oxum, Iansã e Obá), 14 (o quadro de Iemanjá na parede e a presença do pai Antúrio, filho de Xangô), 20 (Oxóssi na mata), 30 e 31 (a sereia também como referência a Oxum). Além disso, há vários trechos citando orixás e religiosidades afro-brasileiras. Os alunos devem recuperar algumas passagens e citá-las.
Em seguida, apresente um breve apanhado sobre algumas das religiões afro-brasileiras, como umbanda, candomblé, jurema e encantaria (são muitas as denominações, por isso escolha as que considerar mais presentes em sua região). Existe ainda o culto tradicional iorubá, que é uma religião não diaspórica.
Agora proponha, a alguns alunos, uma leitura dramatizada do capítulo 2 e de parte do 3 (páginas 6 a 11): um será o narrador e, outro, a voz intimista de Camila (por ocasião da leitura de uma das páginas de seu diário, no início do capítulo 2); mais duas pessoas farão as vozes da protagonista e de sua mãe quando elas conversam uma com a outra.
Em seguida, peça para que os alunos de sua turma respondam ao seguinte: a) como Iemanjá é apresentada na conversa entre mãe e filha?; b) como a mãe reage quando a filha diz que quer se vestir de sereia na festa da escola?; c) por que a mãe parece ter vergonha da religiosidade afro-brasileira da família?; d) o que Camila tem a dizer sobre isso?; e) quais elementos afro-brasileiros aparecem no trecho do “Diário de Camila Camélia” (página 11)?
Continue a atividade ampliando a discussão para uma roda de conversa: quem são os orixás?; alguém na sala pertence a alguma religião afro-brasileira e poderia falar sobre ela?; como os orixás aparecem em O perfume doce do mamão verde?. A seguir, apresente um cartaz ou projeções de Power Point sobre os principais orixás do panteão Ketu, explicando brevemente sobre as características de cada um. Estabeleça um ambiente de respeito e tolerância.
O próximo passo é dividir a turma em dois grupos para que participem de um jogo. Dentro de uma caixa, haverá cartões contendo cinco palavras escritas em cada um, as quais devem fazer alusão a determinado orixá. Por exemplo: espelho – concha – peixe – leque – mar (resposta: Iemanjá). Quando for confeccioná-los, disponha as palavras de maneira que não se adivinhe de imediato de qual orixá se trata. Assim que este for descoberto, explique rapidamente o significado dos elementos, objetos ou fenômenos da natureza mencionados no contexto da mitologia iorubá. Para isso, você deve se preparar com antecedência.
No final do jogo, peça para cada aluno comentar o que aprendeu no decorrer da atividade.
Atividade “Sereias e tritões: inclusão e diversidade”
Com o propósito de se desenvolver nos alunos atitudes inclusivas e respeitosas em relação à diversidade de corpos, habilidades e identidades, proponha essa atividade, na qual eles criarão fantasias de sereias e tritões.
Releia, com os estudantes, o trecho do capítulo 2 que aparece na página 6 de O perfume doce do mamão verde (trata-se de mais uma “página” do “Diário de Camila”). Então pergunte a eles sobre os nomes que a personagem escreveu: Sereia Janaína, Guiomar, Dandalunda, Macunã, Princesa de Aiocá, Ísis, Melusina, Lorelai, Sobá, Marabô e Caiala. Quem seriam essas figuras femininas? Explique-lhes cada uma delas, aproveitando também o conhecimento dos próprios alunos sobre o tema.
Em seguida, faça algumas perguntas motivadoras. Exemplos: como seria a experiência de ser uma sereia ou um tritão? Será que eles têm sempre o mesmo tipo de corpo, de cabelo, de pele? Uma pessoa que usa cadeira de rodas ou prótese pode fantasiar-se de sereia ou tritão? Será que existe um jeito único e certo de representá-los?
Depois peça para os alunos identificarem, no livro de Adriano Messias, como Camila pensava em fazer sua fantasia de sereia: que adereços ela usaria e quais cores estariam presentes?
Então proponha uma oficina em que cada qual criará para si uma fantasia de sereia ou tritão. Permita que os estudantes explorem diversos materiais, cores e formatos, expressando-se da maneira mais criativa possível. Para isso, podem ser usados papéis coloridos, cartolinas, TNT, papel celofane, retalhos de tecido, maquiagem atóxica, lantejoulas, glitter, etc. Cada fantasia deve ser personalizada, de maneira a expressar algo da pessoa que a usará. Se houver crianças com deficiência na turma, incentive-as a participar ativamente da criação.
Para encerrar, todos devem realizar um desfile inclusivo em uma passarela improvisada na sala ou no pátio. Após desfilar, cada qual apresentará sua fantasia e contará um pouco a história do personagem criado, mencionando ainda quais aspectos de sua própria personalidade estão refletidos nele. Podem ser tiradas fotos para a montagem de um mural – tanto físico, como on-line –, com o título “A diversidade também vive no fundo do mar”, o qual deve ser compartilhado com os familiares.
Não se esqueça de pedir aos alunos que avaliem a experiência e que façam seus comentários.
