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De como Francislene encontrou comadre Fulozinha


Professora e professor, disponibilizamos aqui atividades para você trabalhar o livro "De como Francislene encontrou Comadre Fulozinha" com seus alunos.

"De como Francislene encontrou Comadre Fulozinha, de autoria de Adriano Messias, se volta a alunos de EJA, Educação de Jovens e Adultos no Ensino Médio e na Educação do Campo.
Seu enredo se passa no sertão pernambucano, especificamente na caatinga fechada, semiárida, com todo o seu panorama cultural, geográfico e ecossistêmico, em que memórias de jagunços permanecem impressas na secura dos rasos – como o raso da Marieta –, e em que o gado agonizante na seca, a vegetação espinhosa e as aves de rapina servem como pano de fundo para causos e lendas locais.
A personagem Francislene, tataraneta de Lampião, após se ver perdida pelas terras da caatinga, encontra o velho Zuza em sua palhoça e, dele, escutará a história de Marieta, fazendeira conhecida por sua valentia, mas também pela crueldade. Todo o povo do Cariri, região cearense limítrofe com Pernambuco, dizia que ela tinha feito pacto com o “coiso” e, depois de morta, se transformara em visagem, em assombração. Além dessa figura, a desgarrada Francislene ainda se deparará com a temida Comadre Fulozinha, ser encantado evitado a todo custo pelos sertanejos, posto que temida e terrível.
O caburé e outras aves, a paca, a cotia, o cateto, o ouriço, o veado, o calango, as reses desgarradas, as serpentes e os arvoredos típicos ajudam a dar cor local à narrativa. Vale ainda mencionar as belas imagens de Rafa Antón – impactantes e dramáticas em sua bela técnica com lápis de cor.
Mais do que apenas um livro sobre lendas pernambucanas, essa obra também nos oferece um arco de maturidade física e emocional para a personagem, desde que se torna moça – evento marcado pela chegada da menarca – até que ela própria se vê mãe, na cidade de São Paulo, com uma filha junto de si – na parte final do livro, quando há um encerramento bem marcante da história.
Questões em torno da afetividade, da solidariedade, da igualdade, da diversidade, da gentileza, da cultura da paz e da inclusão estão fortemente presentes na narrativa, conforme pode ser percebido na leitura do conto.
Do ponto de vista ético, a obra auxilia na compreensão da história oral e da cultura pernambucana e do Cariri, reforçando no imaginário a releitura do universo sertanejo da caatinga profunda, seca, intransponível, e das figuras que popularmente a povoam há séculos – mostrando-nos que a diferença entre o bem e o mal pode ser apenas uma questão de escolha por parte do sujeito ativo, senhor de seus caminhos. Ao mesmo tempo, a obra ajuda a valorizar os conteúdos culturais e o ecossistema de uma das mais ricas regiões do planeta.
A leitura será prazerosa tanto para alunos de EJA mais jovens quanto para adultos e idosos, os quais poderão não apenas rememorar suas próprias histórias e lendas, mas também se perceber na sabedoria experiente do velho Zuza, que faz boas intervenções para que a garota extraviada venha a se encontrar – um encontro muito mais interno do que externo.

Atividades pedagógicas

Como a BNCC, Base Nacional Comum Curricular, não possui uma seção específica para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), as atividades a seguir aplicam as mesmas competências e habilidades do ensino regular – neste caso, do Ensino Médio. Porém, foram feitas adequações metodológicas que respeitam a andragogia, ou seja, a área do saber que se preocupa com a aprendizagem de adultos e suas especificidades. Neste sentido, respeita-se a vivência dos estudantes e são empregadas situações do cotidiano, sempre que possível, o que está respaldado pela Resolução nº 01/2021, que instituiu as Diretrizes Curriculares para EJA.
Também reforçamos que as atividades que seguem contemplam as quatro habilidades básicas da comunicação, ou seja, a fala, a escrita, a leitura e a escuta.

1. Conhecendo a obra: atividade de estímulo à leitura

Linguagens e suas tecnologias: Língua Portuguesa
Habilidade EM13LP02: Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).


Educador, apresente a obra "De como Francislene encontrou Comadre Fulozinha" aos seus alunos. Ao mostrar o livro, pergunte quais são os elementos que podem ser percebidos na capa e na contracapa, incluindo a leitura do título e nome do autor.
Em seguida, pergunte-lhes se eles conhecem a figura da Comadre e quais informações têm sobre ela. Vá adiante na indagação, em busca de escutar a experiência pessoal de cada um.
Agora enriqueça esse momento com a leitura do texto da quarta capa. Pergunte aos estudantes que ideias essa breve apresentação lhes transmite sobre a obra. Em seguida, deixe que comentem sobre o design da capa. Permita que eles tomem alguns signos (cores, detalhes visuais, nome da obra, etc.) e criem suas suposições sobre a trama do conto.
Sempre que o tema induzir algum aluno a participar, deixe que ele o faça. Instigue outros estudantes a falar também, sobretudo quando houver a possibilidade de se estabelecer conexões entre experiências de vida e o que está sendo apresentado sobre a obra.
A leitura do conto deve ser realizada dentro da sala de aula, em voz alta, visto não ser um texto de longo fôlego. Para isso, você pode contar com a colaboração dos próprios estudantes. A proposta é a leitura do primeiro capítulo e do segundo capítulos de uma só vez para, em seguida, fazer provocações: o que será que vai acontecer com Francislene? Quem era o velho Zuza? Que dados ele traz a ela sobre a região pela qual estavam? Quem foi Marieta? Vocês conhecem figuras parecidas a essas três personagens do livro?
Existem vários aspectos que devem ser salientados e comentados após essa primeira leitura: a situação de vulnerabilidade social e econômica de Francislene, ainda adolescente, perdida em um local tão distante e deserto. Também podem ser feitas aferições sobre os modos de vida sertanejo a partir das ilustrações e da descrição da casa do velho Zuza.
Continue a leitura: passe pelos capítulos três e quatro e faça nova pausa para ouvir comentários. Em seguida, vá do cinco ao seis; do sete ao dez; do onze ao quatorze e, por fim, termine com o quinze. Essa divisão coincide com cenas específicas da história. Veja a tabela a seguir:


Capítulos

Abordagem

1 e 2

Francislene perdida e o encontro com o velho Zuza. Primeiros diálogos.

3 e 4

A história de Marieta narrada pelo velho Zuza.

5 e 6

O encontro de Marieta com Comadre Fulozinha.

7 a 10

Francislene se despede do velho Zuza para seguir seu caminho e se depara com a Comadre Fulozinha

11 a 14

Francislene busca refúgio em uma casa e vai se surpreender ao descobrir que a própria alma de Marieta a recebera. Nova fuga e novo encontro com o velho Zuza.

15

Desfecho inusitado: Francislene, adulta, tem uma filha e mora em São Paulo. Ela está cozinhando um cozido de galinha para a filha, mas fica chocada ao ver uma mão, como a da Comadre Fulozinha, saindo de dentro da panela.

O próximo passo é pedir para que os estudantes comentem livremente sobre o que acabaram de ouvir e deixar que façam considerações, sobretudo em relação às suas próprias vidas, histórias, hábitos e costumes: será que há semelhanças entre eles e o que se passa com os personagens em termos de percursos de vida, formação familiar, tipo de moradia e objetos do dia a dia?
A atividade pode ser encerrada pedindo aos alunos que escrevam as memórias que têm de Comadre Fulozinha ou de qualquer outra assombração ou lenda do local e que vivem.

2. Comadre Fulozinha: cultura, território e tradição oral no Sertão de Pernambuco e no Cariri

Linguagens e suas tecnologias: Língua Portuguesa
Habilidade EM13LP02
: Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).
Habilidade EM13LGG301: (EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos.
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
Habilidade EM13CHS101: Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

Retome o livro com os alunos, deixando-o aberto em alguma imagem alusiva ao sertão e à caatinga. Em seguida, apresente-lhes, em um mapa, a região do sertão nordestino, destacando o sertão pernambucano e o Cariri.
Proponha uma conversa inicial com algumas perguntas do tipo: como é a vida no sertão de Pernambuco e no Cariri? Que histórias do sertão ou da caatinga vocês conhecem? Por que surgem lendas em regiões de forte relação com a natureza?
Depois, avance especificamente sobre aspectos do conto: que características ligam a personagem Comadre Fulozinha ao panorama natural e humano da caatinga? A quais comportamentos humanos a lenda se vincula? Quais valores do sertão aparecem no enredo do conto?
Divida os alunos em grupos para que eles possam discutir os seguintes aspectos a partir da obra de Adriano Messias:
Elementos da lenda: possíveis significados culturais.
Região da caatinga: a lenda e a relação de respeito para com o ambiente.
Aparição feminina de Comadre Fulozinha: no imaginário, ela também tem relação simbólica com a proteção do território e a punição de caçadores – espécie de reguladora moral da comunidade.
A presença de Comadre Fulozinha na religiosidade popular sertaneja de matrizes afro-indígenas, como a jurema.
No final, cada grupo apresentará suas conclusões por meio de um texto que será lido em voz alta.

3. A Caatinga como ecossistema – adaptações e equilíbrio nas espécies

Ciências da Natureza e suas tecnologias
Habilidade EM13CNT203 – Avaliar e prever efeitos de intervenções nos ecossistemas, e seus impactos nos seres vivos e no corpo humano, com base nos mecanismos de manutenção da vida, nos ciclos da matéria e nas transformações e transferências de energia, utilizando representações e simulações sobre tais fatores, com ou sem o uso de dispositivos e aplicativos digitais (como softwares de simulação e de realidade virtual, entre outros).
Habilidade EM13CNT303: Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, tanto na forma de textos como em equações, gráficos e/ou tabelas, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações.


Comece a aula retomando o tema da caatinga. Apresente imagens do bioma (tanto no período seco quanto chuvoso) aos alunos. Use algumas perguntas estimuladoras: na caatinga, por que muitas plantas perdem as folhas na seca? Quais plantas desse tipo vocês conhecem? Como os animais sobrevivem com pouca água? Que usos humanos podem desequilibrar esse ecossistema?
Em seguida, proponha um estudo guiado a partir de um texto informativo sobre a caatinga, o qual será escolhido por você. Nele, deve constar a estrutura daquele ecossistema e alguns dados importantes oriundos de pesquisas, bem como gráficos.
Devem fazer parte do texto os seguintes temas: clima semiárido e irregularidade das chuvas; cadeias alimentares na caatinga; adaptações típicas da vida na caatinga (ex.: folhas reduzidas, metabolismo econômico de água, hábitos noturnos de muitos animais), impactos humanos que deterioram o bioma caatinga.
A seguir, cada grupo receberá um “caso ecológico” da caatinga (uma planta xerófita, um réptil, uma ave ou um mamífero do semiárido, por exemplo, incluindo espécies ameaçadas). Um texto coletivo deve ser escrito, no qual devem ser respondidas perguntas como: quais adaptações da espécie estudada lhe permitem sobreviver à seca?, que papel ecológico essa espécie exerce no sistema?, o que aconteceria se essa espécie diminuísse muito?
A atividade se encerrará após uma breve discussão sobre as constatações feitas pelos alunos. Verifique se todos entenderam a linguagem científica usada nos textos e se os possíveis gráficos e tabelas foram adequadamente interpretados.

Sugestão bibliográfica

CASCUDO, Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1978.
Um clássico sobre o folclore nacional. Nesta obra de referência, Câmara Cascudo nos oferece verbetes com comentários, análises e comparações. Essencial para os que trabalham com lendas sertanejas e pernambucanas.

PINHEIRO, Irineu. O Cariri: seu descobrimento, povoamento, costumes. Juazeiro: Ladrilhos Editora, 2025.
Esse livro é uma das mais curiosas obras sobre a história do Cariri e foi escrito por um médico sanitarista. Aos 69 anos, ele nos deixou suas memórias, observações e pesquisas, dignas do mais ávido leitor e capaz pesquisador que foi.

RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2019.
Este livro magistral de Graciliano Ramos é uma boa oportunidade para que os alunos estabeleçam interdiscursividades com o conto de Adriano Messias.

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