Atividades pedagógicas
Professor(a), disponibilizamos aqui atividades para você trabalhar o livro "Contos canhotos" com seus alunos.
Como a BNCC, Base Nacional Comum Curricular, não possui uma seção específica para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), as atividades a seguir aplicam as mesmas competências e habilidades do ensino regular – neste caso, do Ensino Médio. Porém, foram feitas adequações metodológicas que respeitam a andragogia, ou seja, a área do saber que se preocupa com a aprendizagem de adultos e suas especificidades. Neste sentido, respeita-se a vivência dos estudantes e são empregadas situações do cotidiano, sempre que possível, o que está respaldado pela Resolução nº 01/2021, que instituiu as Diretrizes Curriculares para EJA.
Também reforçamos que as atividades que seguem contemplam as quatro habilidades básicas da comunicação, ou seja, a fala, a escrita, a leitura e a escuta.
Atividade: Contra o bullying
Esta atividade é sugerida preferencialmente como leitura e pós-leitura.
Os contos que se inserem dentro desta proposta são vários. Fica um deles como sugestão para o desenvolvimento da atividade. Você também pode se inspirar na proposta para criar a própria atividade de acordo com o texto de sua escolha.
Releia os trechos que se seguem, todos eles do conto Quatro horrores numa noite só:
Trecho 1
“Eliza, com lágrimas nos olhos, estava com mais medo do que todos: - Agora a Bloody Mary vai me perseguir para o resto da vida! - Que bobagem! As coisas não são assim, Eliza... Tudo isso são superstições. Lendas urbanas, como disse o professor de português. Marildete duvidada: - Será? Eu acho que deveríamos ter escolhido uma prova mais amena para que nossa colega fosse admitida no clube... - E que raio de clube é esse? – quis saber Miguel, impaciente. - Um clube wicca... – respondeu a outra. – E achávamos que Eliza não conseguiria ser aprovada. No fundo, nós não queríamos que ela fizesse parte. – completou, constrangida. - Como assim? – quis saber Eliza, irritada. – Não me achavam boa o bastante? - Não mesmo. Ah, eu me sinto tão envergonhada em dizer isso... É que não queríamos uma colega assim... um tanto acima do peso, você entende? – alfinetou Marildete. Eliza segurou as lágrimas. Veio-lhe pela garganta afora a angústia de uma antiga e conhecida situação: seu peso. Em segundos, ela relembrou de todos os regimes que foi obrigada a fazer e também dos que fez porque quis. Reviu a balança, uma ‘monstra’ que ficava rindo dela no banheiro de casa todos os dias pela manhã. Recordou-se ainda da mãe, das tias e das amigas fazendo chacota da blusa apertada que não ficara bem em sua cintura.” (páginas 14-5)
Trecho 2
“- Eu não aguento mais! – gritou Eliza em sua solidão ao redor do muro. Foi aí que sua mão, que tateava insistentemente entre os galhinhos da hera, se enfiou em falso por um buraco inusitado e veio a dar no que ela supôs ser o outro lado do muro. Com muita dificuldade, ela começou a se embrenhar pela abertura, machucando-se um pouco nos braços. O terror aumentava à medida que ela pensava na possibilidade de ficar presa lá para sempre. Lembrou-se de sua cintura larga, maior do que a das amigas, e sentiu ódio de seu corpo. Entretanto, surgiu-lhe espinha afora um alívio inominável quando ela se soltou definitivamente de tudo o que a prendia e, mesmo sendo gordinha, ficou feliz por ser a única a ter conseguido escapar do colégio naquela noite de terror...” (páginas 17-8)
Em ambos os trechos, é possível detectar uma visão em torno do corpo muito presente na sociedade brasileira: a busca por uma forma idealizada, delgada, esbelta, esguia. A personagem obesa já surge de alguma maneira traumatizada mediante o que lhe disseram e fizeram passar pela vida afora. Ao mesmo tempo, ela descobre que a prova para entrar no clube deveria ser intencionalmente difícil, uma vez que ela não seria benquista pelas colegas devido ao corpo “fora do padrão”. Após reler com seus alunos os trechos destacados, ofereça-lhes o texto Precisamos falar de gordofobia, disponível no site do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e que consta no link a seguir: https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/imprensa/noticias/precisamos-falar-de-gordofobia. Na página 34, em “Aprofundamento”, você encontrará um trecho do texto sugerido.
Discuta com os estudantes a temática do bullying e das diversas formas de preconceito e intolerância em relação ao corpo. Promova um debate em que eles possam avançar no tema: de onde vem a estética do “corpo perfeito” sobre a qual nossa sociedade ainda tanto insiste? Quais os efeitos que essa busca por uma aparência física imposta pode ter sobre o sujeito? Será que existe alguma relação direta entre um corpo não gordo e um corpo saudável? Ou é possível ser magro e “sarado” e, ao mesmo tempo, não estar com boa saúde? Qual a melhor maneira de viver saudável? Quais são os limites que nosso corpo tem frente às dietas, regimes e exercícios físicos? Quando se procura um corpo idealizado, o que de fato se está querendo? Em que medida isso é reflexo de uma sociedade profundamente narcisista?
Atividade: Contra a violência de gênero e a intolerância
Esta atividade é sugerida preferencialmente como leitura e pós-leitura. Os contos que se inserem dentro desta proposta são vários. Entretanto, fica como sugestão um deles para que a atividade possa ser desenvolvida. Você também pode se inspirar e criar sua própria atividade de acordo com o texto de sua escolha. Releia o trecho que se segue, retirado da página 67 do livro Contos canhotos, alusivo ao conto A mulher, o colegial e o leiteiro:
“Talhando breves diálogos como quem pulava parágrafos, Murilo soube que Amália se cansara de sustentar o leiteiro, pai de doze filhos com oito mulheres. Em uma briga, acertou-o com um latão de leite. - Ele me seduzia com a comida. Primeiro, chegou com o leite. Depois, trouxe um queijo enrolado em um algodão cru. Por fim, deu-me rosquinhas de nata. - Você o matou hoje à tarde? - Por isso não fui à janela assuntar. Tenho agora uns poucos minutos. Você vai chamar a polícia? Murilo apanhou a lata de leite ensanguentada e colocou-a em pé. Ligou a televisão para ouvir o noticiário e saber se seu time havia ganhado. Então, calmamente digitou três números no celular. Amália esboçou um sorriso pálido que se refletiu nos mil pedaços do espelho da penteadeira. Apanhou peças de roupas e objetos de maquiagem. Delicadamente, puxou Murilo pela mão até a cozinha. Abriu o forno, deu-lhe fatias de broa e requeijão. Antes de receber as algemas, conseguiu dar ao invasor beijos frescos e redondos, presenteando-o com queijos bem curados. E sussurrou algo ao seu ouvido com vozinha aveludada, sem que os policiais pudessem participar de seu segredo tragicômico. Aquelas foram as últimas palavras que Amália deu ao mundo: - Não matei por ciúme. Antes de amar pela primeira vez, meu lindo, veja se a pessoa não será intolerante à lactose...”
Discuta com seus alunos a questão das relações de poder. Há no conto uma ironia no final: a justificativa para o assassinato teria sido a mulher, intolerante à lactose, ter se casado com um leiteiro, o qual parecia não ter dado importância ao incômodo que a esposa sentia toda vez que ingeria produtos derivados do leite. A partir da expressão “intolerância à lactose”, aborde a palavra “intolerância” de maneira plural, tanto dentro quanto fora do contexto do conto. Por exemplo: como seus alunos conseguiriam fazer diferentes leituras da intolerância? Estaria implícita na narrativa alguma intolerância entre o suposto casal? E como as relações de poder podem se dar na vida a dois? Ao mesmo tempo, você pode direcionar a discussão para um aspecto colateral que é bem pertinente em nossos dias: intolerância no sentido de falta de paciência das pessoas umas para com as outras, de tal maneira que, às vezes, não há a intermediação do simbólico para se dar conta de algum impasse. É o caso de Amália, que fez uma passagem ao ato, ou seja, assassinou o marido. Como sugestão de texto para fomentar ainda mais o debate, você pode utilizar a citação que se segue do conto Foram as dores que o mataram, da escritora cabo-verdiana Dina Salústio:
“Não matei o meu marido. Eu amava-o. Por que matá-lo? Foram as dores do meu corpo que o condenaram. Foram o sangue pisado, o ventre moído, as feridas em pus. Foram as pancadas de ontem, as de hoje e, sobretudo, as pancadas de amanhã que o mataram. Eu amava-o. Por que matá-lo? Foi o meu corpo recusado e dolorido após o uso e os abusos. Foram a tristeza, o desespero e a dor do amor que não tinha troco. Eu amava-o. Por que matá-lo?” (SALÚSTIO, 2002, p. 17, apud TOLEDO E SOUZA, 2013)
A seguir, a citação de uma estudiosa sobre o trecho anterior:
“Constata-se, no fragmento acima, um ritmo cadenciado, com predominância de sons anasalados e oclusivos que produzem uma matéria fônica com possibilidades expressivas e nos remetem à angústia, à melancolia, à dor e até mesmo à incredulidade da personagem que, de vítima, passou a agressora: ‘Eu amava-o. Por que matá-lo?’. Esse questionamento se repete por quatro vezes ao longo do texto, como se a agressão que resultou na morte do marido tivesse acontecido em um momento de privação dos sentidos. A agressora-vítima atribui sua ação a outras causas: ‘as dores do corpo’, ‘o sangue pisado’, o ‘ventre moído’, ‘as feridas em pus’; o medo: ‘as pancadas de ontem, as de hoje e, sobretudo, as pancadas de amanhã’; as dores da alma, ‘a tristeza, o desespero e a dor do amor que não tinha troco’.” (TOLEDO E SOUZA, 2013, p. 6)
Ambos os textos literários, o de Adriano Messias e o de Dina Salústio, evidenciam situações de violência de gênero e intolerância. Se quiser, aproveite os dois contos na íntegra e trabalhe com sua classe esses temas sociais tão necessários de serem discutidos em sala de aula. Mostre o quanto os variados tipos de violência de gênero são interdependentes das relações de poder que se dão entre cônjuges, namorados, amantes, amigos, parceiros e o quanto a estruturação de uma determinada sociedade também se relaciona com isso.
Atividade: Análise e produção de contos
Professor(a), esta atividade é sugerida preferencialmente como leitura e pós-leitura. Os contos que se inserem dentro desta proposta são vários. Entretanto, fica como sugestão um deles para que a atividade possa ser desenvolvida. Você também pode se inspirar para criar a própria atividade de acordo com o texto de sua escolha. Releia o trecho que se segue, retirado da página 73 do livro Contos canhotos, alusivo ao conto A velhinha suspeita:
“A frágil senhora se ajoelhou defronte um murinho baixo e parecia orar. Mas não. De dentro de sua bela bolsa azulada, retirou um objeto que foi cuidadosamente erguido e, em seguida, seria colocado atrás de uma parede em ruínas. Entretanto, Madame Mimosa ficou congelada pela luz que repentinamente se fez naquelas trevas: foi surpreendida por lâmpadas potentes que haviam sido colocadas por todo o ambiente. Por um átimo, supôs ser a vingança da gárgula. Nos próximos segundos, os que tanto queriam se desculpar passaram a soltar gritos de pavor e a expressar absoluta repugnância: retirado de dentro da clássica bolsa e erguido por uma das finas mãos da velhinha não estava nenhum crucifixo, nenhum breviário. Não mesmo. E, sim, o pé inteiro de um cadáver, serrado à altura da canela. E pertencia ao marido infiel que ela, em surto, assassinara. Manhã após manhã, a velhinha depositava as partes cortadas do corpo do esposo detrás do murinho defronte ao qual se ajoelhava e, em seguida, cobria-as com cimento e cola. A última peça daquele horripilante quebra-cabeça seria horas depois encontrada ainda no refrigerador do antigo apartamento em que a tranquila senhora morava: uma cabeça solitária, com olhos esbugalhados e expressão insólita. Uma cabeça que olhava as neblinas da geladeira e admirava-se, talvez, ao fitar as paredes pintadas em um tom kitsch de azul-claro.”
Após discutir o conto com seus alunos, ressaltando com eles a construção do suspense, as falsas pistas e as prováveis motivações da velhinha para cometer um crime tão hediondo em relação ao próprio marido, ofereça como leitura paralela a crônica de Stanislaw Ponte Preta (1986, 38-9), A velha contrabandista.
A seguir, mapeie com seus alunos as diferentes características de um e de outro texto, ao mesmo tempo salientando as semelhanças que possam ter (em termos de personagens, de enredo, de estrutura formal, etc.). Norteie este momento da atividade a partir da caracterização de texto satírico (aquele em que se critica e ironiza problemas sociais e aspectos do comportamento humano, muitas vezes de forma mordaz) e texto humorístico (quando há no enredo e nos personagens algo que proporciona o tom de graça, de humor, de anedótico). O que há de satírico e humorístico no texto de Adriano Messias e no de Stanislaw Ponte Preta e, ao mesmo tempo, como a abordagem de ambos os escritores se diferencia em relação ao tipo de humor e sátira empregados? Para finalizar, peça aos alunos que criem individualmente um texto na forma de um conto breve e que possa ter como temática alguma questão ética violada por alguma ação ou comportamento. Eles também podem empregar uma esfera de suspense, detetivesca ou de humor.
Atividade: Compreendendo e desmontando estereótipos
Esta atividade é sugerida preferencialmente como leitura e pós-leitura. Os contos que se inserem dentro desta proposta são vários. Entretanto, fica como sugestão um deles para que a atividade possa ser desenvolvida. Você também pode se inspirar para criar a própria atividade de acordo com o texto de sua escolha. Releia os trechos que se seguem, retirados do livro Contos canhotos, alusivo ao conto O monastério enfeitiçado:
Trecho 1
“Seria indecoroso uma monja, ainda que zarolha, apreciá-lo em trajes pequenos e modestos, além do fato de que o esguio rapaz trazia traumas da infância e da adolescência: as pernas compridas costumavam ser chamadas de varapaus pelos parentes, e os dedos dos pés tinham unhas encurvadas que provocavam risos no colégio. A brancura de leite da epiderme, à qual se somavam manchinhas alaranjadas nas costas, peito e nádegas, fez com que Nestor, nos tempos do ensino médio, escutasse um coro perverso no vestiário: ‘Coalhada! Coalhada!’. Aquelas vozes o magoaram de forma tão violenta que o jovem, em um primeiro momento, se tornara arredio às novas amizades. Quando se soltava mais, o fazia sempre com um entusiasmo contido. Mais cedo ou mais tarde, um amigo lhe saía com algo assim: ‘Você nunca quis fazer regime para engordar? O que seu médico diz? Você não tem medo de não conseguir uma namorada?’. A espessura das sobrancelhas criava um contraste estranho com a falta de pelos no restante do corpo. Por isso, uma vez a professora de biologia lhe aconselhou a procurar um endocrinologista: ‘Rapaz, isso é falta de testosterona...’. Nestor se sentiu humilhado pelos outros em boa parte da vida.” (páginas 25-6)
Trecho 2
“Nestor era um bendito-é-o-fruto-entre-as-mulheres. Sentia-se como um menino aparvalhado em meio às maricotinhas da rua, em brincadeiras de joão-bobo, quando a pessoa ao centro era balançada por outras, temendo cair de cara na poeira do chão. Impávido, ele enfim conseguia relaxar da experiência terrível. Foi quando notou que a calça do pijama estava molhada e que, nas mangas do paletó, as belas formas rosáceas do estampado da flanela se misturavam aos farelos endurecidos de biscoitos que comera dois dias antes em um quarto de pensão.” (página 29)
Inicialmente, peça a seus alunos que destaquem no texto todas as palavras, expressões e situações que façam alusão ao estereótipo dentro do qual o personagem principal parece ter sido enquadrado desde a infância. Compare este estereótipo ao da personagem Eliza, do conto Quatro horrores numa noite só. Quais são as diferenças entre ambas as estereotipias? Em que elas se aproximam? A seguir, proponha um breve estudo sobre a palavra “estereótipo”, sua origem e etimologia, e como tem sido aplicada no senso comum pelas pessoas. Então, apresente à classe algumas publicidades e campanhas de marketing que possam ter sido embasadas em visões e entendimentos estereotipados sobre as pessoas e seus comportamentos. Há uma profusão delas que você pode pesquisar em sites como o YouTube. Ao mesmo tempo, proponha uma visão mais diacrônica sobre imagens étnicas, raciais, etárias, de classes sociais, de padrões físicos, etc., no decorrer da história da publicidade, por exemplo. Para isso, em “Aprofundamento”, nas páginas 34 a 36, estão algumas imagens de anúncios bastante ilustrativos para o tipo de discussão que você pode levar adiante com seus alunos, bem como um link para ler mais a respeito (https://www.revistabula.com/24396-21-anuncios-chocantes-que-sao-um-retrato-do-passado/).
Atividade: Interdiscursividade - conto e filme
Esta atividade é sugerida preferencialmente como leitura e pós-leitura. Os contos que se inserem dentro desta proposta são vários. Entretanto, fica como sugestão um deles para que a atividade possa ser desenvolvida. Você pode também se inspirar para criar a própria atividade de acordo com o texto de sua escolha. Releia o trecho que se segue, retirado do livro Contos canhotos, alusivo ao conto O inquilino tinha um machado:
“No corredor do lado de fora do apartamento, entre duas portas, havia uma caixa embutida contendo um extintor de incêndio e um machado. A portinhola do pequeno compartimento rangia muito. Com um machado em mãos, o jovem retornou e foi se achegando para perto do calvo senhor com mecha de neném, o qual não compreendeu a serventia de tal ferramenta para se consertar o cabo de um escovão. Sem que tivesse tempo para refletir, espantou-se com uma machadada certeira. Porém, infelizmente, ela não desentortou o cabo, mas sim quebrou-o ao meio. O dono do apartamento estava perplexo. Parecia que iria sofrer uma síncope, pois não se imaginara nunca vivendo sem o cabo centenário do utensílio que lhe fora herdado da avó. Porém, aquela não foi a única tentativa de ‘conserto’: o mesmo machado foi erguido e abaixado várias vezes. Querendo dar uma arejada na disposição dos móveis pela casa, o inquilino começou pela tal cadeira, que deveria ficar bem disposta sobre o tapete. Em seguida, rasgou o velho persa, atravessando a bela trama com o fio de aço até que a lâmina do machado afundasse no piso de madeira. E continuava, extasiado, sempre decidido: partiu um abajur, um sofá de couro falso e uma porta de vidro que nunca podia ser aberta e que levava à bela varanda florida. Também foram quebradas, uma a uma, todas as organizadas prateleiras com livros e DVDs. Aquele método de modificar a residência teria como continuidade os objetos de temática bovina: foram-se em cacos as caras, as patas, os rabos e os úberes de gordas e alegres vacas. Tudo ao chão.” (páginas 32-3)
Promova com seus alunos uma sessão do filme O Iluminado (The Shining, Stanley Kubrick, 1980), ou peça que assistam a ele em casa. Nesta segunda opção, selecione algumas cenas para serem exibidas e comentadas em sala de aula. Explique que o filme é uma adaptação do livro homônimo do escritor americano Stephen King, que sempre se destacou pelas obras de terror, mistério e suspense.
Peça a seus alunos que discutam a maneira como Adriano Messias, em seu conto O inquilino tinha um machado, e o diretor Stanley Kubrick, em O Iluminado, transmitem a sensação de suspense, surpresa ou perplexidade nos trechos/ cenas em que o personagem principal utiliza um machado. Como atividade complementar a esta, explique o que seria uma “tradução intersemiótica” (aquela que se realiza quando se faz a adaptação de um livro para um filme, por exemplo, ou seja, quando ocorre mudança de suporte e de código). Ela também costuma ser chamada de “tradução interartes” (pois consiste em transpor um sistema de signos artísticos a outro). A tradução intersemiótica valoriza a especificidade de diversas linguagens semióticas, como literatura, cinema, fotografia, música, e permite o intercâmbio entre elas. Este também pode ser um momento interessante para discutir algumas profissões com seus alunos: escritor, roteirista, diretor de cinema, adaptador, tradutor e semioticista.
Atividade: Criando um curta-metragem
Esta atividade é sugerida preferencialmente como leitura e pós-leitura. Peça a seus alunos que se dividam em grupos. Cada grupo escolherá um dos contos que preferir e tentará adaptá-lo para a forma de um curta-metragem caseiro, que pode até mesmo ser feito com câmera de celular. O objetivo é exercitar várias habilidades: leitura e entendimento, adaptação de texto literário para linguagem audiovisual, criação de argumento e de roteiro, construção e caracterização de personagens, figurino e interpretação. Há um modelo sobre como começar a se fazer um roteiro na página 37 de “Aprofundamento”.
Esta atividade também tem uma abrangência externa, podendo envolver a escola, o bairro ou a cidade. Uma sugestão é exibirem os curtas-metragens em nível comunitário, criando uma espécie de festival.