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A pessoa mais incrível que conheci

Atividades pedagógicas

Professora e professor, disponibilizamos aqui atividades para você trabalhar o livro "A pessoa mais incrível que conheci" com seus alunos.

Como a BNCC, Base Nacional Comum Curricular, não possui uma seção específica para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), as atividades a seguir aplicam as mesmas competências e habilidades do ensino regular – neste caso, do Ensino Médio. Porém, foram feitas adequações metodológicas que respeitam a andragogia, ou seja, a área do saber que se preocupa com a aprendizagem de adultos e suas especificidades. Neste sentido, respeita-se a vivência dos estudantes e são empregadas situações do cotidiano, sempre que possível, o que está respaldado pela Resolução nº 01/2021, que instituiu as Diretrizes Curriculares para EJA.

Também reforçamos que as atividades que seguem contemplam as quatro habilidades básicas da comunicação, ou seja, a fala, a escrita, a leitura e a escuta.

Atividades com estudantes e/ou grupo de leitores

Essa atividade de pré-leitura, leitura e pós-leitura é desejável como ponto de partida para as sugestões seguintes.
Você, como mediador(a), deve se ater não apenas ao aspecto ético de que a obra trata, mas também estético, explorando, junto aos estudantes, a linguagem direta e fluida do autor, permeada por diálogos que tornam a leitura mais dinâmica.
No dia do encontro, também estabeleça algumas regras éticas: a) não se pré-julgar nada nem ninguém; b) não se tratar o tema de maneira irônica ou desdenhosa; c) não se expressarem opiniões fundamentadas em crenças pessoais e familiares, porém, embasadas em ciência e sempre em defesa dos Direitos Humanos.
O próximo passo é propor uma leitura dramatizada do primeiro capítulo. Para tanto, você pode ter combinado anteriormente com os participantes de alguém fazer a voz de Tuca, outra pessoa a de Laura e outra a do narrador. Finalizada a leitura, ouça os comentários e estimule os estudantes a levarem a obra para casa. Determine um período para que ela seja lida e um dia específico para que haja uma conversação. Entretanto, torne a leitura minimamente roteirizada, focando sobretudo naquilo que não pode ser perdido de vista: as questões de gênero e socioafetivas entre os personagens.
Comece apresentando o livro aos estudantes. Mostre sua capa, o nome do autor e do ilustrador e, em seguida, leia o texto da quarta capa. A partir desses primeiros elementos sígnicos, pergunte-lhes que impressões iniciais a obra causa. Provavelmente, vão comentar sobre amor, relações afetivas, sexualidade e gênero. Então conduza uma breve conversação a respeito e deixe que todos vivenciem um brainstorm ligado às expectativas da obra.
 

Atividade “Indivíduos e questões gêneros”

Como há a proposta de um debate nessa atividade, seu primeiro passo é esclarecer os estudantes de que não se trata de se criar uma discussão do tipo “sou a favor” ou “sou contra”, o que era comum em escolas brasileiras nos anos de 1980, por exemplo, mas, felizmente, não mais hoje. Os alunos não devem discutir se “concordam” ou “não concordam” com a identidade e o comportamento de gênero dos personagens, tampouco fazerem intepretações a partir de crenças populares ou dogmas religiosos. O objetivo é entender quais expressões de gênero que hoje transitam na invisibilidade e na marginalidade precisam ser respeitadas. Devido à delicadeza do tema, o trabalho introdutório é fundamental para a atividade ser desenvolvida de maneira adequada, baseando-se em princípios pedagógicos democráticos.
Em seguida, aluda aos personagens de "A pessoa mais incrível que conheci" e a suas diversas expressões de gênero. Pergunte aos leitores com quais eles mais se identificaram durante a leitura do livro e por quê.
O próximo passo é apresentar dois textos jornalísticos, cujos links vêm a seguir:
“De LGBT a LGBTQIAPN+: por que a sigla mudou e o que significa cada letra?”: https://elivr.in/TzTbQQ;
“Identidades fluidas”: https://elivr.in/CcPM89.
No texto 1, seus alunos, em trabalho individual, deverão localizar e transcrever informações básicas sobre o tema: a) qual o histórico da sigla das expressões de gênero?; b) o que foi a Revolta de Stonewall e qual sua importância para a solidificação dos Direitos Humanos?; c) o que significa cada letra da sigla? Além disso, os alunos deverão dizer se já ouviram falar de outras identidades de gênero que não estão mencionadas na sigla e, em caso positivo, fazer uma breve pesquisa sobre elas. Também podem mencionar o que seria gênero fluido, termo muito empregado nos últimos tempos.
Quanto ao texto 2, publicado na revista científica Fapesp, seus estudantes devem, em grupo de poucos indivíduos, fazer um resumo, destacando os pontos principais.

Ainda em grupos, eles terão de produzir uma reportagem com base nos dados coletados dos textos 1 e 2 (ou nos de outras reportagens sérias e de fontes seguras). O texto deve conter título, apresentação de dados científicos, organização composicional (expositiva, interpretativa e/ou opinativa), progressão temática e uso de recursos linguísticos compatíveis com as escolhas feitas. Cada texto deverá dispor de duas formas de apresentação: uma focada em leitura em sala de aula e outra para ser usada em formato multimídia em alguma plataforma à escolha dos participantes.
Durante essas atividades em sala, não deixe de verificar se todos os textos criados informam com clareza e se não expressam opiniões preconceituosas. É ainda importante que haja uma conclusão orientada por você, a fim de que os alunos compreendam a seriedade do tema com o qual lidaram.

Envolvimento com a comunidade: Procure algum grupo ligado aos direitos LGBTQIAPN+ da cidade em que você mora e pergunte se alguém de lá pode fazer uma palestra para a turma. Essa palestra pode ser bem ampla, com convites estendidos a familiares e moradores do bairro em que se localiza a escola ou a biblioteca comunitária.


Atividade “Sexualidade e expressões de gênero”

Essa atividade parte do seguinte mote: “Existiria uma relação direta entre corpo, identidade de gênero, desejos e práticas sexuais?”.
Em um primeiro momento, fixe no quadro alguns cartões separados uns dos outros com os seguintes dizeres:


corpo
biológico

identidade de gênero

desejos

práticas sexuais

Peça aos alunos para fazerem correlações entre os cartões: em que um cartão tem a ver com o outro?

O próximo passo será explicar a concepção mais usual e tradicional da sexualidade humana, pregando outros cartões abaixo dos primeiros.


corpo
biológico

identidade de gênero

desejos

práticas sexuais

homem (biológico)

masculino

voltados a pessoas de gênero oposto

com pessoas de gênero oposto (mulheres)

mulher
voltados a pessoas de
com pessoas de (biológico)

feminina

voltados a pessoas de gênero oposto

com pessoas de gênero oposto (homens)

Pergunte aos estudantes como eles veem esse tipo de construção e como as pessoas que nela se dizem enquadrar se classificam. Durante a análise, deixe claro que se trata de categorias muito diversas umas das outras, susceptíveis a várias combinações, e que não existe uma categoria “fundante”, “melhor” ou “primeira”.
Para não haver dúvida, explique os cartões: por exemplo, um homem (alguém nascido em um corpo biológico de homem) que identifica a si como masculino (pois a identificação é uma construção do próprio sujeito a partir de sua experiência pessoal desde a infância mais remota, incluindo-se conteúdos inconscientes e elementos sociais), que diz sentir desejos sexuais por mulheres (uma vez que é o sujeito quem diz sentir; ninguém pode afirmar o que o outro de fato sente, pois não há como se investigar totalmente a subjetividade alheia) e que ainda diz preferir manter relações sexuais com estas (também aqui é uma afirmação subjetiva do sujeito em questão, pois alguém manter relações sexuais com mulheres não significa estar satisfeito nessa prática sexual), pode ser chamado por si e pela sociedade de heterossexual – o que tem relação com a “orientação sexual”. O mesmo vale para a mulher no exemplo dos cartões anteriores. Portanto, separe dois, em que se lê “heterossexual”, para colocar no final da segunda e da terceira sequência de cartões.

Deixe claro que os elementos biológicos em nossa espécie atuam de maneira muito primária e que a construção do humano se faz mediante conteúdos que dependem da linguagem simbólica. Essa é nossa diferença em relação aos outros animais. Enquanto cavalos e éguas copulam movidos pelo instinto e pelo cio, os seres humanos mantêm relações psicoafetivas e sexuais muito complexas, que dependem de fatores entrecruzados, os quais eliminam qualquer autoritarismo teórico de cunho biológico. Em psicanálise, por exemplo, diz-se que o corpo é sempre um “corpo falante”, ou seja, atravessado pela linguagem. Até mesmo por isso a palavra corpo, nos cartões, está especificada como “corpo biológico”, aquele estágio inicial em que podemos afirmar que alguém nasceu menino, nasceu menina ou nasceu intersexo (antigamente, usava-se o termo hermafrodita).

A seguir, pergunte aos alunos quais seriam outras combinações possíveis para a mesma disposição de cartões do início. Exemplos:


corpo
biológico

identidade de gênero

desejos

práticas sexuais

como esse sujeito
possivelmente prefere ser chamado (orientação sexual)

homem

masculino

por pessoas do
mesmo gênero

com pessoas do mesmo gênero

homossexual

mulher

feminino

por pessoas do
mesmo gênero

com pessoas do mesmo gênero

homossexual

homem

masculino

por pessoas de
ambos os gêneros

com pessoas de ambos os sexos

bissexual

mulher

feminino

por pessoas de
ambos os gêneros

com pessoas de ambos os sexos

bissexual

* Atenção: com “ambos os gêneros” de forma alguma se quer estabelecer que existam “apenas” dois. O termo é conveniente a essa parte da atividade.


Essas são apenas três das combinações possíveis: homossexuais, bissexuais e heterossexuais. Alguns alunos podem sugerir, por exemplo:


corpo
biológico

identidade de gênero

desejos

práticas sexuais

como esse sujeito
possivelmente prefere ser chamado (orientação sexual)

homem

feminino

por pessoas do
mesmo gênero

com pessoas do mesmo gênero

homossexual

homem

masculino e feminino

por pessoas do
mesmo gênero

com pessoas do mesmo gênero

homossexual


Vemos assim que as identidades de gênero são muito porosas e dependem de fato de como cada pessoa se posiciona no mundo e se afirma como sendo de um gênero, de outro, de vários, ou até mesmo de nenhum. Até agora, porém, você está lidando com os conceitos de binarismo e cisgeneridade, e essas palavras devem ocupar mais dois cartões no quadro, os quais também precisam ser deslocáveis porque serão recombinados.
Os cisgêneros são pessoas que se identificam com o sexo biológico de nascimento. Já os transgêneros são as que não se identificam com o sexo biológico de nascimento e que querem fazer uma “transição” e uma redesignação para outro (por isso, são chamadas assim). Então, você precisará de mais dois cartões.
Os binários são aqueles que associam suas identidades e expressões de gênero às categorias de masculino ou feminino. Mas existe também o não-binarismo (outro cartão a ser pregado no quadro), que corresponde a pessoas que podem sentir que seu gênero está em algum lugar entre o masculino e o feminino, ou simplesmente que não se definem com base na polaridade binária. E não-binário não é necessariamente sinônimo de transgênero. Veja mais dois exemplos:


corpo
biológico

identificação quanto ao binarismo

identificação quanto ao
corpo
biológico

identidade
de gênero

desejos

práticas
sexuais

como esse sujeito
possivelmente prefere ser chamado
(orientação
sexual)

mulher

binário

cisgênero

feminino

pessoas de ambos os gêneros

com pessoas de ambos os gêneros

bissexual (ou seja, uma mulher binária e cisgênero bissexual)

mulher

binário

transgênero

masculino

pessoas do mesmo gênero, de outro gênero ou de ambos

com pessoas do mesmo gênero, de outro gênero ou de ambos

bissexual (ou seja, um homem binário e transgênero bissexual.

Esse uso lúdico e gradual dos cartões é muito útil para permitir que os alunos consigam de fato visualizar e compreender as manifestações plurais da sexualidade humana.
Para finalizar, estabeleça que os estudos de gênero são muito recentes: surgiram no século passado e ainda estão sofrendo alterações, revisões e contribuições. Ao mesmo tempo, a sociedade tem seus próprios movimentos e, assim, ela própria acaba pautando pesquisadores sobre o que merece reflexão.


Atividade “Pesquisa e criação de lendas urbanas”

No primeiro capítulo de "A pessoa mais incrível que conheci", a colega de Tuca, Laura, tenta amendrontá-la contando a história da caminhoneira do banheiro. Há uma associação direta à lenda urbana da loira do banheiro ou de sua versão importada, a Blood Mary.
Releia o referido capítulo com todos, pedindo que se fixem nos elementos que conformam a lenda. Se quiser trazer um complemento, você pode fazer uma leitura dramatizada de uma série de pequenas lendas urbanas presentes no conto Quatro horrores numa noite só, do livro Contos canhotos, de Adriano Messias, obra citada pelo personagem Miguel na página 16 de "A pessoa mais incrível que conheci".
Após os estudantes fazerem comentários sobre os textos lidos, é hora de apresentar uma notícia para que possam entender melhor como uma lenda urbana pode se originar. Trata-se da reportagem Laudos do crime que gerou a lenda da Noiva da Lagoa dos Barros são encontrados, publicada no jornal Zero Hora16.
Em seguida, faça algumas perguntas: a) o que seria uma lenda urbana?; b) como será que ela surge?; c) que exemplos de lendas urbanas podem ser dados?; d) e quais características uma lenda urbana pode apresentar?
O segundo momento desse projeto implica uma pesquisa na própria cidade em que os estudantes moram. Eles deverão entrevistar pessoas que conheçam lendas urbanas e coletar os relatos, transformando-os posteriormente em textos.
O terceiro momento é a criação textual de uma lenda urbana original, ainda que inspirada em outras. Estabeleça alguns critérios de avaliação: a) tamanho mínimo do texto; b) presença de, pelo menos, um elemento sobrenatural; c) presença de, pelo menos, uma cena de suspense; d) e presença de alguma questão de gênero na trama ou em algum personagem.
Os textos devem ser trocados e lidos por colegas diferentes, os quais farão seus comentários sobre a escrita literária do outro.
Então, os estudantes deverão organizar um livro no qual constarão tanto as histórias recontadas por eles, quanto seus próprios textos ficcionais. Procure uma alternativa barata para a publicação do volume coletivo, como buscar patrocínio ou tornar o projeto uma iniciativa disponível para arrecadação de fundos na internet – do tipo “vaquinha”.

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